O amor não exige nada em troca, ele apenas se dá pelo prazer de se dar. Um dia, mãe, tu soubesse que esse amor existia. Mas por que tu esquecesse? Tu diz que sofreu muito, que já passou por muita coisa e por isso tu faz o que faz. Mas tu tá feliz agora, mãe? Olhe bem dentro de si mesma, veja se a cirurgia plástica, se o salão de beleza, se os sapatos e bolsas te fazem realmente feliz... Você tem uma coisa que eu admiro bastante, que é uma energia muito forte, que se recupera bem fácil. Você mesma sabe, você não consegue passar mais de um dia triste, tem uma alegria interna maior, tem um sol dentro de si, aquele mesmo sol que lá em Candeias você fazia questão de nos mostrar de manhãzinha. Isso é muito bonito, mãe. Mas tem algo em você que não anda nada bem, um estresse permanente, um achar que precisa fazer certas coisas quando você não precisa de nada disso! Mãe, foi você que me ensinou a ser assim como sou, a me sensibilizar com as injustiças desse mundo que a gente vive. Agora, você mesmo entrou nesse jogo, nessa trama, e nem mesmo percebe... Não, mãe, não quero chegar no fim da vida e me perguntar com tristeza “O que foi que fiz da minha vida?”. Eu não consigo, mãe, só consigo viver tendo certeza a todo momento que o que estou fazendo é certo. Chegam horas que os homens param e se perguntam o sentido disso tudo, quando nada mais parece fazer sentido. Eu vivo me perguntando isso, mãe, você entende? E é por isso que a todo momento me respondo essa pergunta. E só consigo responder a partir do amor, sabe? Onde está o amor na vida que você tá levando agora, mãe? Você diz que faz isso tudo pelo amor que sente por nós, mas não tá dando certo. Há uma infelicidade pairando em nossa casa...
domingo, maio 20, 2012
sexta-feira, maio 18, 2012
Ideias soltas
Felicidade, que gosto tem essa palavra? Gosto de riso de criança, de chuva caindo no telhado, de ver filme de mão dada? Ou gosto de vermelhidão profunda, de parto, de Elis cantando com voz rasgada?
Vim aqui nesse blog escrever pra poder inventar frases que me trazem felicidade só de eu dizê-las. Assim, da mesma felicidade que Milton me traz quando eu escuto ele cantar aquela música "Tudo o que você devia ser", ou qualquer música de Clube da Esquina. Parece que é mesmo uma especialidade desses mineiros, né, cantarem de mansinho, e conquistarem um canto no coração da gente.
Mas voltemos às palavras... Elas podem fazer a gente feliz, é só inventá-las do modo certo. Pra quê ficar inventando nome feio, que traz dor? Eu mesma, no meu blog, que é meu, só escrevo arco-íris, algodão-doce e musica de pir lim pim pim. "Mas Maria, isso aí é tão doce que chega enjoa só de pensar", vocês devem estar aí querendo me dizer.Tá certo, uma eu em mim diz isso, mas a outra sabe que uma vermelhidão às vezes também é boa.
Agora meu cachorrinho passou, trouxe na boca um osso que achou no quintal. As pessoas imaginam que os cachorros fazem isso simplesmente porque querem comer. Ledo engano.. os cachorros, minha gente, têm o osso como um tesouro, um objeto de afeto, assim como a gente guarda a jóia da vovó naquele porta-jóias antigo. (Se bem que eu acho que ninguém na vida real faz isso, só nos filmes, mas imaginemos que elas fazem..) Assim, os cachorrinhos guardam esses ossos como guardamos nosso álbum de retratos, toda a memória deles, tudo que eles possuem estão ali, nas dentadas marcadas no osso. Cada dentada, um fato de suas vidas: o dia em que sua dona chegou de vestido vermelho balançante, o dia em que ganhou um pedacinho de bolo de rolo, o dia em que lambeu as partes de Dorotéia quando ela tava no cio... O mesmo acontece com o novelo de lã dos gatos, mas não vou entrar em detalhes, é só vocês usarem as mesmas regras dos cachorros.
Aí eu volto pra cá, me vejo escrevendo palavras mais uma vez, já que nada disso aconteceu de fato, mas será que o fato de eu estar aqui escrevendo é real? Que mãos são essas que, por hora, teclam? Estão comandadas por quem? A pergunta do quem sou eu é insolúvel, todos sabemos. Então, quem vos escreve é um buraco negro, um vazio branco de pensamentos soltos e alheios. Tem um autor que diz que as ideias vêm de uma fonte no mais profundo de nós mesmos. Então é isso, há apenas essa fonte, imagino uma fonte de água, sediada no nada, de onde brotam palavras e imagens. A água é límpida na origem mas vai ficando cada vez mais turva, cada vez mais turva, cada vez mais turva...
Sentir. Só sentir. Sem racionalizar. Você consegue? Sentir a energia fluir no seu corpo, viver sendo levado pelo corpo, comer o que o corpo pedir, namorar quem o corpo quer..
Afeto. Será que o segredo da vida é viver pelo afeto? Se eu consigo viver sem afetar ninguém e sem me afetar, faz sentido?
Vim aqui nesse blog escrever pra poder inventar frases que me trazem felicidade só de eu dizê-las. Assim, da mesma felicidade que Milton me traz quando eu escuto ele cantar aquela música "Tudo o que você devia ser", ou qualquer música de Clube da Esquina. Parece que é mesmo uma especialidade desses mineiros, né, cantarem de mansinho, e conquistarem um canto no coração da gente.
Mas voltemos às palavras... Elas podem fazer a gente feliz, é só inventá-las do modo certo. Pra quê ficar inventando nome feio, que traz dor? Eu mesma, no meu blog, que é meu, só escrevo arco-íris, algodão-doce e musica de pir lim pim pim. "Mas Maria, isso aí é tão doce que chega enjoa só de pensar", vocês devem estar aí querendo me dizer.Tá certo, uma eu em mim diz isso, mas a outra sabe que uma vermelhidão às vezes também é boa.
Agora meu cachorrinho passou, trouxe na boca um osso que achou no quintal. As pessoas imaginam que os cachorros fazem isso simplesmente porque querem comer. Ledo engano.. os cachorros, minha gente, têm o osso como um tesouro, um objeto de afeto, assim como a gente guarda a jóia da vovó naquele porta-jóias antigo. (Se bem que eu acho que ninguém na vida real faz isso, só nos filmes, mas imaginemos que elas fazem..) Assim, os cachorrinhos guardam esses ossos como guardamos nosso álbum de retratos, toda a memória deles, tudo que eles possuem estão ali, nas dentadas marcadas no osso. Cada dentada, um fato de suas vidas: o dia em que sua dona chegou de vestido vermelho balançante, o dia em que ganhou um pedacinho de bolo de rolo, o dia em que lambeu as partes de Dorotéia quando ela tava no cio... O mesmo acontece com o novelo de lã dos gatos, mas não vou entrar em detalhes, é só vocês usarem as mesmas regras dos cachorros.
Aí eu volto pra cá, me vejo escrevendo palavras mais uma vez, já que nada disso aconteceu de fato, mas será que o fato de eu estar aqui escrevendo é real? Que mãos são essas que, por hora, teclam? Estão comandadas por quem? A pergunta do quem sou eu é insolúvel, todos sabemos. Então, quem vos escreve é um buraco negro, um vazio branco de pensamentos soltos e alheios. Tem um autor que diz que as ideias vêm de uma fonte no mais profundo de nós mesmos. Então é isso, há apenas essa fonte, imagino uma fonte de água, sediada no nada, de onde brotam palavras e imagens. A água é límpida na origem mas vai ficando cada vez mais turva, cada vez mais turva, cada vez mais turva...
Sentir. Só sentir. Sem racionalizar. Você consegue? Sentir a energia fluir no seu corpo, viver sendo levado pelo corpo, comer o que o corpo pedir, namorar quem o corpo quer..
Afeto. Será que o segredo da vida é viver pelo afeto? Se eu consigo viver sem afetar ninguém e sem me afetar, faz sentido?
terça-feira, fevereiro 28, 2012
Retiro logo: paz, encontro, leveza. Ir com Caio ouvindo Rômulo Fróes, sendo alegre. Caio desperta a alegria dentro de mim. Felicidade.
Alexandre fala tim tim por tim tim do meu trabalho, passo a enxergar um trabalho ali, fico feliz.
Têm ratos no sofá, temor.
Será que sou muito açucarada? Devo ser. O açúcar me atrai mesmo. Fazer o quê? Na próxima encarnação venho como menina má, nessa não. Mas também não sou lá nenhuma flor, só engano.
Ele me desperta a escrita, gosto de conversar com ele. Mas não posso mais. Aí volto a conversar comigo mesma. Será que sinto o mesmo prazer? Tento.
Medo de se entregar, medo de se magoar. Mas vontade, de se apaixonar.
Trombone com pianinho, trombone com pianinho
Será que vai dar tudo certo? Nunca tudo está certo, nem nunca ficará. Mas agora até que está.
Ele não foi, ele não foi. Agora não quero mais saber. Ele sabe se cuidar, ou não.
Praia, água, música, vento, beijo. Huuum.
Dançar, rodopiar, sentir o vento bater no rosto, o cabelo voar sem se preocupar.
Vida.
Vida.
É.
Alexandre fala tim tim por tim tim do meu trabalho, passo a enxergar um trabalho ali, fico feliz.
Têm ratos no sofá, temor.
Será que sou muito açucarada? Devo ser. O açúcar me atrai mesmo. Fazer o quê? Na próxima encarnação venho como menina má, nessa não. Mas também não sou lá nenhuma flor, só engano.
Ele me desperta a escrita, gosto de conversar com ele. Mas não posso mais. Aí volto a conversar comigo mesma. Será que sinto o mesmo prazer? Tento.
Medo de se entregar, medo de se magoar. Mas vontade, de se apaixonar.
Trombone com pianinho, trombone com pianinho
Será que vai dar tudo certo? Nunca tudo está certo, nem nunca ficará. Mas agora até que está.
Ele não foi, ele não foi. Agora não quero mais saber. Ele sabe se cuidar, ou não.
Praia, água, música, vento, beijo. Huuum.
Dançar, rodopiar, sentir o vento bater no rosto, o cabelo voar sem se preocupar.
Vida.
Vida.
É.
segunda-feira, janeiro 30, 2012
Será que as luzes que se acendem nas janelas acendem por dentro também das pessoas?
O que se acendia em Antônia era o seu desejo de, finalmente, comprar um colchão novo.Em Janaína, brotava um desejo de encontrar um amor. Já em Antônio, nascia uma luzinha que ele não sabia bem explicar o que era... parecia um vaga-lume. Ela piscava igualzinho aos pisca-piscas que ele tanto via nessa época do ano. Piscava sempre que ele tinha uma descoberta. Outro dia foi quando ele viu uma formiguinha andar na grama carregando um pedaço de comida, ele ficou tão surpreso, como ia caber aquilo tudo no bucho dela? Teve outro dia também que a luzinha se acendeu quando ele viu uma borboleta voar. Ele ficou reparando em todas as cores que, de repente, surgiam nas asas dela. Achou muito bonito de ver. Mas a luz piscou mesmo foi quando ele viu, furtivamente, a calcinha de Júlia naquele dia ensolarado. Achou linda, ficava imaginando sentir o tecido de algodão em sua pele...
E assim a vida ia seguindo, cada um com sua luzinha: Juca, quando ganhava um osso; Zeca, com um prato de leite; a mosca, com o pão da padaria, o mosquito, com o sangue da perna da moça, o passarinho com a minhoca, a minhoca com a terra... E assim se cumpria o ciclo da vida. Num era Natal nem nada, era só a vida seguindo, e as luzinhas apagando e acendendo, apagando e acendendo...
O que se acendia em Antônia era o seu desejo de, finalmente, comprar um colchão novo.Em Janaína, brotava um desejo de encontrar um amor. Já em Antônio, nascia uma luzinha que ele não sabia bem explicar o que era... parecia um vaga-lume. Ela piscava igualzinho aos pisca-piscas que ele tanto via nessa época do ano. Piscava sempre que ele tinha uma descoberta. Outro dia foi quando ele viu uma formiguinha andar na grama carregando um pedaço de comida, ele ficou tão surpreso, como ia caber aquilo tudo no bucho dela? Teve outro dia também que a luzinha se acendeu quando ele viu uma borboleta voar. Ele ficou reparando em todas as cores que, de repente, surgiam nas asas dela. Achou muito bonito de ver. Mas a luz piscou mesmo foi quando ele viu, furtivamente, a calcinha de Júlia naquele dia ensolarado. Achou linda, ficava imaginando sentir o tecido de algodão em sua pele...
E assim a vida ia seguindo, cada um com sua luzinha: Juca, quando ganhava um osso; Zeca, com um prato de leite; a mosca, com o pão da padaria, o mosquito, com o sangue da perna da moça, o passarinho com a minhoca, a minhoca com a terra... E assim se cumpria o ciclo da vida. Num era Natal nem nada, era só a vida seguindo, e as luzinhas apagando e acendendo, apagando e acendendo...
sábado, setembro 03, 2011
Preciso ir gritar numa floresta,
tomar coalhada numa fazenda que não existe mais,
deitar num céu calmo,
sentir as estrelas fazerem sua sombra em mim, tocá-las, senti-las entrando no meu corpo.
Preciso me sacudir,
vomitar as estrelas depois pra me sentir limpa e luminosa,
pra só então sentar numa calçada e coçar a cabeça de um gato
e as estrelas voltarem a sair das minhas mãos outra vez.
tomar coalhada numa fazenda que não existe mais,
deitar num céu calmo,
sentir as estrelas fazerem sua sombra em mim, tocá-las, senti-las entrando no meu corpo.
Preciso me sacudir,
vomitar as estrelas depois pra me sentir limpa e luminosa,
pra só então sentar numa calçada e coçar a cabeça de um gato
e as estrelas voltarem a sair das minhas mãos outra vez.
terça-feira, novembro 23, 2010
Janaína escutou uma amiga dizer uma frase que muito lhe fez rir, disse ela "cansei de ser profunda". Ela se riu porque há muito tinha tomado a mesma decisão, desistiu da carreira acadêmica, das discussões filosóficas, das buscas pelo sentido último de todas as coisas e decidiu que não queria mais fazer outra coisa senão sentar-se em seu quintal e bordar. Vez por outra, alisar a cabeça da sua gatinha aqui, escutar um canto de passarinho acolá e nada mais. Tinha cansado de buscar explicações pra entender seus sentimentos, autoconhecimento, o quê? Ela se conhecia muito bem e sabia que quem ficava procurando isso estava na verdade era inventando sempre um eu diferente, criando eus eternamente. Quanto mais ficavam a questionar o que sentiam, indo pra milhões de terapeutas, estavam era criando sentimentos e inventando sofrimentos sem fim. Ela passou tanto por isso que cansou. Agora tudo era muito simples, o caminhão do lixo passava na hora certa, o leiteiro também, a flor que ela tinha plantando com carinho nascia quando tinha que nascer, tudo estava certo. Agora entendia o que os poetas queriam dizer quando falavam na simplicidade. Era isso sim, a vida era muito fácil de viver, esses filósofos é que teimam em complicar. Então fico com os poetas.
sábado, julho 03, 2010
Clarice gostava dos acentos, achava eles dignos. Sempre que escrevia com a caneta de tinta que seu pai lhe dera, sentia um prazer enorme em colocá-los. Como o sentem certos velhos ao assinar o contrato de compra de seu caixão, marrom, de estofado de veludo vinho, com um crucifixo dourado brilhante na frente. Enroscam um pouco o bigode grisalho e emitem um sorriso de canto de boca que suas netas sabem bem, trata-se de orgulho. Não, não iam viver suas vidas no sofá da casa de sua filha mais velha, economizando sua aposentadoria, pra acabar num caixão qualquer pago por aquela que lhe sustentou nos últimos anos. Assim, Clarice passava as tardes, escrevendo, falando de amores. Ela se sentia uma típica mulher, todas elas gostam de falar de amor. Acho que quando Deus inventou a mulher foi justamente pra acrescentar o elemento amor na vida. Aí veio o homem, pra trazer um pouco de distúrbio pra esse sentimento.Era bem isso que Clarice pensava quando se lembrava do romance recente do seu cachorro Juca com a cachorra da vizinha, que estava no cio. Dava dó ver o cachorro esmolando um pouco de amor, passando noites insone, a uivar, a latir. Qual não era sua felicidade quando via ao menos a patinha de Doralice pela fresta da porta. Sacodia o rabinho feliz, e passava ao menos essa tarde com um risinho no rosto. Clarice dizia isso, mas no fundo não falava de Juca, mas dela própria, afinal era só levar Juca pra passear no parque pra ele esquecer Doralice, balançava o rabinho, levantava a patinha em cada banco, corria feliz, latia para as crianças. Assim, aquilo que Clarice achava de Juca estava impregnado era na sua percepção das coisas. Via Juca pela sua própria lente distorcida. Mas ela não sabia disso. Então deixa ela se enganar, pelo menos ela não sofre pelo seu próprio amor, sofre apenas de pena do cachorro. E continuava ela, arrumando maneiras de trazer pequenas felicidades para o cão, para que ele esquecesse sua dor, fazendo assim, sem saber, ela própria esquecer da sua. Juca sabia disso tudo e maliciosamente, para que a dona lhe ajudasse, fingia estar amando, quando na verdade queria apenas trepar com a cachorra que ele achava uma bela de uma gostosa.
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